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  • Foto do escritorDiacuy Mesquita

Ana, mais uma.




Acordo com a a noticia que Ana a Hickmann foi agredida pelo seu marido.

As pessoas ficam atônitas, como? Uma mulher jovem, bonita, rica, com 32 dentes, cabelos bem tratados com shampoo de rótulo escrito vegano em um idioma que certamente não dominamos, nem sinal de olheiras, umbigo pra dentro, filho perfeito, casa linda e alva como a reputação de Ana.

Como assim? Não são as mulheres, pobres, desprovidas de inteligência e beleza na mesma proporção que foram agraciadas com uma pança protuberante, as dependentes financeiramente dos companheiros, porque no fundo são umas encostadas, não são essas que apanham, que sofrem violência verbal, emocional, psicológica, patrimonial?

Por que Ana?

Por que uma mulher como Ana?

Não sei responder porque Ana, mas porque não Ana?

Para começar fico muito triste por ela e pelo seu filho, mas ao mesmo tempo fico satisfeita porque as mulheres estão tendo coragem de abrir a boca, de interromper o ciclo de violência, seja ele de que espécie for.

Algumas de nós ainda sente vergonha em admitir que sofre violência, que foi ou é traída, como se fôssemos as únicas responsáveis pelo "sucesso"do casamento, culpadas da má escolha do parceiro, nos acusam de falta de coragem, de vergonha na cara, comodismo e assim vai.

Sim, admito que para muitas de nós o casamento é uma carta de recomendação, uma referencia que somos pessoas afáveis, dignas de sermos amadas e respeitadas, afinal cumprimos com louvor o que se espera de nós mulheres.

Se nossos filhos tiverem sucesso serão então nossa medalha de honra ao mérito.

A construção de uma família "feliz"está acima das nossas dores, nossos ferimentos físicos e emocionais.

O abuso nos tira da gente mesmo, nos cega, nos vampiriza no sentido que nos tira a capacidade de ver quem somos, tal como o conde Dracula que não vê seu reflexo no espelho não vemos um futuro sem aquele panorama que já nos acostumamos e pasmem: normalizamos.

Claudio Alexander é assim mesmo. Normal.

Cleverson Carlos é nervoso, não deve ser provocado. Normal.

Rodrigo Pedro é muito paquerado, a carne é fraca. Normal.

Vinicius Gerônimo trai, mente, desrespeita mas é um bom pai. Normal.

Sempre me pergunto o que é ser um bom pai fazendo infeliz a mãe daqueles seres que em 90% dos casos a maior parte da educação e formação vem dela.

Ana, obrigada por admitir, por denunciar, por mostrar: Óh também comigo.

Ana, posso te pedir um favor? Apesar de saber que não tenho esse direito e não posso e não devo te julgar em caso de reconciliação.

Por favor, vá, não volte, continue, avante!

Estamos com você, eu, Marias, Claudias, Vitorias, Marcias, Andreas, Luizas, Patricias, Marianas, Robertas, Vivianes, Sofias, Joanas... sim todas nós.


Bora? Eu boro.





221 visualizações2 comentários

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2 Comments


andreialicajp
Nov 13, 2023

Texto perfeito!

Me vi dos 16 aos 24 anos nessa mesma condição, muitas vezes sendo julgada e subjugada por pessoas próximas (inclusive familiares). A culpada era eu e nunca ele, pois eu tinha o "gênio forte", eu provocava ao conversar com outras pessoas, etc. Cheguei acreditar que eu realmente era o problema, mas graças ao tempo, coragem e maturidade adquirida, percebi que ele era o problema e que eu era apenas vítima de um doente, infeliz. Ainda há muito em que conquistar e muitas precisam de coragem para sair dessa situação, mas que sejamos o apoio e mão que acolhe essas mulheres.

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apssantiago
Nov 12, 2023

O caso da minha xará só evidencia que, para sofrer violência por parte de homens, basta ser mulher, em qualquer composição.

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